Veja as medidas para garantir o caimento correto em áreas molháveis

A determinação dos caimentos de uma laje de concreto faz parte do projeto de impermeabilização e deve ser feita na fase de anteprojeto de arquitetura. "Dessa forma, poderão ser feitas as eventuais modificações nos pontos de captação, de modo a garantir a execução dos caimentos e desníveis adequados", explica a engenheira Virgínia Pezzolo, da Proassp, empresa especializada em consultoria e projetos de impermeabilização. "Os caimentos deverão ser compatibilizados com o projeto de estruturas, arquitetura (executivo), elétrica, hidráulica, esquadrias e, por fim, com o de impermeabilização", diz o engenheiro Richard Robert Springer, perito em patologia das construções, consultor e projetista de impermeabilização.

De acordo com a NBR 9575 - Elaboração de Projetos de Impermeabilização, a inclinação do substrato de áreas horizontais externas deve ser de, no mínimo, 1% em direção aos coletores de água. Já para calhas e áreas internas, é permitido um mínimo de 0,5%. Caimentos inadequados provocam infiltrações em locais não impermeabilizados (como soleiras) e patologias no piso de acabamento, como empoçamentos, eflorescências (carbonatação) e o destacamento do revestimento. Caimentos invertidos e a ausência de caimentos, por sua vez, podem acarretar umidade ascendente em paredes e soleiras de áreas frias.

O engenheiro Sérgio Cardoso Pousa, da Proiso, empresa especializada em consultoria e projetos de impermeabilização, explica que o projeto de hidráulica deverá prever um número adequado de ralos para que a espessura total do serviço de impermeabilização e acabamento interfira o mínimo possível nas cotas de arquitetura. O problema, segundo ele, é muito comum quando a distância entre ralos é grande. "Muitas vezes, peço ao projetista a marcação de novos ralos", afirma Sergio Pousa.

O diagrama de escoamento de água (caimentos) é definido pela camada de argamassa de regularização, que prepara a superfície para o recebimento do sistema de impermeabilização. A determinação de sua espessura deve seguir as recomendações da NBR 9574. Confira a seguir os principais cuidados a serem tomados nesta etapa, de acordo com o tipo de ambiente.

Regularização da superfície

É a camada que prepara a superfície para o recebimento do sistema de impermeabilização, executado com cimento e areia, isenta de aditivos, hidrofugantes e plastificantes. Nesta camada é formado o diagrama de escoamento da água (inclinação) direcionada para os ralos ou drenos, de espessura necessária, conforme a NBR 9574.

 

Aplicação
Limpar a superfície eliminando poeiras, sobras de massas ou concreto, ferro, madeira, óleo, graxas.
Executar mestras (taliscamento), tomando como referência o coletor de água parada ou dreno, para construir o diagrama de escoamento da água (ver projeto). Nos coletores de água parada ou dreno a espessura da argamassa não deve ser inferior a 2,0 cm. A declividade deverá ser observada no projeto (0,5 a 1,0 cm).
Preparar a argamassa necessária para o período de trabalho no traço volumétrico 1:3:0.6 (cimento/areia/água), se possível em equipamentos.
Lançar a argamassa tomando como referência as mestras (taliscamento). O acabamento deve ser desempenado com desempenadeira de madeira, tomando cuidado para não queimar, e a consistência bastante compacta, não devendo existir vazios. Se necessário lançar água com brocha para melhor desempenamento.
Após aplicação da argamassa aguardar no mínimo 72 horas para a cura.
Nas superfícies verticais a argamassa deve ser executada sobre prévio
chapisco grosso no traço volumétrico 1:2 (cimento/areia), esta argamassa deverá subir no mínimo acima da cota da impermeabilização.
Os cantos e arestas deverão ser arredondados em meia-cana, num de raio de 5,0 a 8,0 cm. Este serviço deve ser executado em continuidade com a superfície horizontal.
Coletor de água parada e drenos deixar rebaixo na regularização para aplicação de uma faixa de manta asfáltica como preparação da impermeabilização no mesmo.
Quando houver junta de dilatação, estas deverão ser consideradas como
divisor de água.

Observações
Argamassa soltas, trincadas ou bolsões deverão ser removidos e refeitos com argamassa no mesmo traço.
Em superfície há mais de 2 anos ou reforma utilizar adesivo a base de P.V.A ou acrílica na argamassa no traço volumétrico 1:2 (adesivo/água) para
melhor aderência.

 

Banheiros

Caimento: mínimo de 0,5%
Em boxes e banheiras, a camada de regularização deverá se estender até as paredes, numa altura mínima de 1 m. Antes da regularização, as tubulações de hidráulica deverão estar chumbadas na laje e posicionadas sobre a camada de impermeabilização, de forma a poupar os apartamentos inferiores dos efeitos de eventuais vazamentos. Essas mesmas regras se aplicam nas áreas de serviço.

Áreas de serviço

Caimento: mínimo de 0,5%
Para facilitar a regularização, impermeabilização e proteção, as tubulações hidráulicas e de esgoto devem estar distantes, no mínimo, 3 cm da parede. Se faltar espaço, pode-se prever uma reentrância na base da alvenaria. Uma maneira de conseguir isso é projetar as duas primeiras fiadas da alvenaria com espessura menor do que a dos blocos especificados pelo projeto. Banheiros requerem os mesmos cuidados.

Laje de cobertura

Caimento: igual ou maior do que 1%
Independente do ambiente, a superfície da laje deverá estar limpa e desimpedida antes da regularização. Os cantos e arestas deverão ser arredondados em meia-cana, com raio de 5 a 8 cm. Esse serviço deve ser executado em continuidade com a superfície horizontal. As juntas de dilatação devem ser consideradas divisores de água.

Terraço descoberto

Tendo como referência o coletor de água parada ou dreno, executar as mestras (taliscamento) para determinar o diagrama de escoamento da água. Nos coletores de água parada ou dreno, a espessura da argamassa não deve ser inferior a 2,0 cm.

Pavimento térreo

Caimento: igual ou maior do que 1%
Qualquer que seja o ambiente, a superfície da laje deverá estar limpa e desimpedida antes da regularização. Em áreas grandes, a quantidade e posicionamento dos ralos são importantes para evitar que as camadas de regularização, impermeabilização e proteção não interfiram nas cotas de arquitetura e de soleiras de portas. Isso acontece quando a distância entre ralos é superior a 5 m.

Reportagem de Valentina Figuerola
Téche 110 - maio de 2006

 


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